Que dia difícil! Iniciou com o não despertar do relógio, que programei para tocar às 4h30 da madrugada, para levar minha mãe ao reumatogista, no centro da cidade, às 7. Porém, só consegui sai de casa com a minha mãe, a minha linda Ariel e meu gatão Max às 6.
Fiquei boa parte do dia no hospital, e quando fomos liberados, mais que depressa corri para casa de minha mãe, para deixá-la e também, os meninos. Voltei à minha casa, e fui me preparar para a “batalha”. Eu havia dormido mal à noite, estava com o rosto abatido de preocupação, tentando fingir que nada me abalaria, mas, minhas mãos tremiam muito, o coração parecia querer sair pela boca, a ansiedade me consumia. Mas, respirei profundamente, e pus-me a conversar com Deus e meus orientadores, pedi sabedoria, calma e forças para segurar tudo que viria à frente. Esqueci de pedir para lembrar de alguns detalhes que fariam toda a diferença.
Por que será que nesses momentos, as horas demoram tanto a passar?
Quiz ligar para alguém, qualquer pessoa... o porteiro, testemunha que estava tentando localizar a mais de uma semana, em vão; quem saber ligar para a Hilda, que sempre me apoiou nesta situação, me conhecia o suficiente para entender o que eu estava sentindo, mas não. Ligar para minha mãe, ah, como eu precisava ouvir a sua voz..., mas não poderia deixá-la ainda mais preocupada... Bom, seja como Deus quiser, e que Ele me proteja e principalmente meus filhos.
Olhei mais uma vez o relógio – 14h, ele me mostrava, este era o momento tão esperado e temido, tão desesperado e injusto, quase três anos depois de muita tristeza, a vida dos meus filhos seria decidida por um juiz, que nunca nos viu nem ouviu, alguém completamente alheio a nossa realidade.
Sai de casa, liguei o carro, mais uma vez pedi a Deus o seu apoio e fui ao encontro do destino de nos três: eu, o Max e a Ariel.
Durante todo o percurso tentei não pensar no que estaria por vir, por mais que quisesse, seria impossível fugir.
Quando cheguei ao fórum, busquei o porteiro – quem sabe ele teria chegado? Não.
Vi uma mulher ao longe, parecia a Hilda, será que ela havia conseguido chegar antes de mim? Por instante senti um alívio por encontrar uma pessoa amiga... Mas não, não era ela.
Então, atravessei a porta de vidro do fórum, onde me identifiquei, e um guarda verificou a minha bolsa para ver se eu estava portando algum objeto perigoso, e logo me liberou. Ao longe, vi sentados num banco, a minha grande amiga Hilda, a inspetora Cida, tão falante e vivaz da escola, a quem eu tinha grande apreço, mas que hoje, seria uma testemunha de acusação, estaria contra mim e meus filhos, mas a pobre não tinha noção da gravidade, fora enredada por aqueles que se sentavam logo ao lado, no mesmo banco, a Brulca, falsa vítima, e uma acompanhante qualquer, e o “pai” – com o ar de pobre arrependido... Se eu não o conhecesse há tanto tempo e não tivesse visto o que eu vi, talvez, talvez sentisse pena... Acho que não, pois sua arrogância havia aumentado com sua idade.
Estávamos todos ali, a mocinha, os bandidos e uma platéia que não tinha noção alguma da importância de suas palavras e gestos. Eu aguardava o pior, ver o sofrimentos dos meus filhos sem poder intervir.